Ter um milhão de amigos ajuda a cantar mais forte?

7 · 1 · 2010

As redes sociais são uma nova forma de se relacionar e vieram para ficar. Seus detratores vão aos poucos sucumbindo e todo mundo percebe que participar, desde que cuidando da privacidade própria e alheia, não faz mal a ninguém. E mais, hoje é impossível ser um pequeno, médio ou grande empresário e estar longe dessas redes, pois a massa se encontra ali: Facebook, Orkut, Twitter, Tuenti, MySpace, e tantas outras. Passada a febre do Orkut, o Facebook parece ir se afirmando entre os brasileiros que usam a plataforma para… para que mesmo?

Na maioria das vezes, já sabemos, para manter contato com pessoas. No Facebook é mais complicado xeretar a vida alheia e muito se baseia em conteúdo compartilhado no Muro. Também é um espaço para colecionar amigos, amigos de amigos, desconhecidos. Há uma teoria sociológica que não só afirma como prova por a mais b que as pessoas que conhecem muitas pessoas mais distantes do seu círculo próximo de amigos e familiares são as que conseguem aqueles “contatos quentes” para conseguir trabalho, indicação, ajuda ou o que for. Por que? Aparentemente, seu círculo próximo sabe das mesmas coisas que você. Mas são as pessoas com quem você se relaciona pouco que podem ajudá-lo a chegar mais longe. Isso se chama “a força dos laços fracos”. Essa teoria foi elaborada quando as redes sociais online ainda não existiam e o surgimento dessas redes só veio provar que ela estava certa.

Depois, nos anos 80, afiançou-se a teoria do capital social, que inclui a teoria dos laços fracos, afirmando que quanto mais contatos você tem, mas benefícios você consegue. Do mesmo modo que capital (econômico) gera capital, capital social (contatos) gera capital (social e econômico). Por exemplo, muitas ONGs perceberam que um dos empecilhos para sair da pobreza era que os pobres tinham poucos contatos com pessoas em condição diferente da sua, dificultando, assim, o acesso a bens ou serviços que poderiam ajudá-los a melhorar seu bem-estar. O Banco Mundial e outras organizações investiram então em programas para melhorar o capital social dos pobres. Isso parece filosofia de bar, porque todo o mundo está cansado de saber da importância do networking. E as redes sociais virtuais são o paraíso do networking. Mas será que as pessoas sabem usá-las em seu proveito?

Há outro lado da história: no meio de tantos conhecidos, desconhecidos, pouco conhecidos e familiares, como uma pessoa faz para manter uma identidade homogênea? Ou seja, se entre os amigos do Orkut ou Facebook estão desde antigos colegas do pré até seu ex-chefe e chefe atual, filho, amigo do filho, como as pessoas se apresentam? Pois sabemos que as pessoas revelam diferentes informações (e até se comportam de forma diferente) em ambientes diferentes. Será que está ocorrendo uma generalização ou sobre-exposição da esfera íntima?

Essas e outras perguntas nós tentamos responder na pesquisa que realizamos de 2004 até 2009 sobre o capital social no Orkut e Facebook, no Brasil e na Argentina, respectivamente. Fizemos uma pesquisa qualitativa, com entrevistas a dezenas de pessoas que nos falaram sobre o uso que dão a essas redes, a importância que dão ao modo de se apresentarem (perfil, fotos, o que revelam ou não) e, enfim, se ter um milhão de amigos realmente ajuda a cantar mais forte, permitindo maior acesso a bens, serviços ou que lhes parecia importante.

Apresentada como tese de sociologia da Universidad del Salvador em maio de 2009, dirigida pelo Dr. Pablo Forni, tivemos nota máxima e recomendação para publicação. Então, aqui está! Com prefácio do Dr. Martin Cezar Feijó, que faz uma introdução abrangente à temática, e uma bibliografia interessante para quem começa a estudar as redes sociais ou o capital social, o livro também busca preencher uma lacuna sobre o assunto, já que ainda há pouco escrito no Brasil e também na Argentina no âmbito acadêmico. Vocês podem encontrar o livro em versão e-book ou impressa. Basta clicar no link aqui do lado direito do blog ou aqui. Também temos uma página no Facebook, na qual vocês podem entrar para debater o tema e para propor discussões sobre redes sociais, capital social, autoapresentação e virtualidade. Esperamos que vocês gostem!

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2 comentários

  1. Malena says:

    Leí el libro. Me pareció una excelente investigación y espero que abra el camino para futuras investigaciones sobre el tema.

  2. admin says:

    Qué genia! Malena, muchísimas gracias por leerlo! Esperamos que le guste a más gente también. Beso

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