Tapicas murcianicas
Como venho falando neste blog, a melhor coisa de Murcia é a comida. Não porque haja restaurantes incríveis por aqui, mas porque as tapas são frescas, simples e econômicas, com fartura de mariscos e verduras. Primeiro, deixe-me explicar um pouco o título: Múrcia é uma das regiões da Espanha onde o “ito” do diminutivo (também usado aqui) é transformado em “ico”, então, se no resto do país diriam tapitas, como diminutivo de tapas, aqui dizem “tapicas” e assim para tudo o que vocês puderem imaginar: cañica, cafecico, callecica… Eu ainda escuto isso e meu ouvido dói, vou dizer a verdade, mas aos poucos me acostumo e já me peguei falando “cañica”.
Algo que se come muito nas mesas de bar aqui são as salazones, ou seja, peixe salgado (como a nossa carne de de sol, mas, em vez de carne, peixe ou ovas de peixe) muitas vezes servido com amêndoas salgadas. A mojama (palavra oriunda do árabe musama, que quer dizer seco) do atum, por exemplo, é toda uma iguaria nacional, embora me dê certa tristeza ver o top do filé de atum desperdiçado entre tanto sal. Ela é mais típica da região de Cádiz, mas aqui em Múrcia se come muito. Salgar o atum foi o jeito que os fenícios encontraram para comercializar o peixe, transportando-o para o outro lado do Mediterrâneo. Com uma cerveja bem gelada, num calor de 40 graus, uma salazón é muito mais apetitosa do que uma fritura. Na foto abaixo, vemos uma salazón de ovas de peixe, servida com amêndoas.

Agora, se a fritura se tratar de um tigre, que é a oitava maravilha do mundo, a coisa muda de figura. O tigre, nome cuja origem não pude rastrear, trata-se de uma espécie de casquinha de siri só que num mexilhão, além de ser empanada e frita. Isso não é só típico de Múrcia, até onde sei, mas é aqui que eu como sempre, então está entre as minhas tapas típicas. Pois então, o tigre é uma loucura: você coloca o mexilhão na boca e prova aquele creme delicioso, quentinho, debaixo de uma casquinha de fritura. Aquilo derrete na boca. Também dá para comer aos poucos, com o garfinho e tal, mas acho um trato fino demais para um prazer tão voluptuoso. O tigre tem um grande problema, porém: ele é muito pequeno! Como servem pequenas porções, para não ficar chato (e para não sentir culpa) a gente come dois ou três no máximo, quando, na verdade, a vontade é de comer como se fosse batata frita.
A terceira delícia deste post são os chopitos, que são lulas em miniatura, empanadas e fritas. São muito mais gostosos do que os anéis de lula normais que, muitas vezes, estão bem “borrachentos”. Os chopitos são super gostosos para acompanhar uma ensalada murciana e, como sempre, uma caña. E não se esqueçam do limão, parte fundamental da comida murciana.
Só que Murcia, tadinha, é destino ignorado pela maioria dos turistas que vêm de fora (e também aqui de dentro). Enquanto os ingleses e alemães invadiram as praias do pedaço, a região continua sendo pouco procurada por estrangeiros do lado de lá do charco. Mas vale a pena vir e conhecer a costa mediterrânea do lado de cá, que é muito mais barata do que Ibiza e arredores, mais familiar e agreste. No próximo post, falarei das praias da região, onde vocês podem vir comer as deliciosas tapicas murcianicas.








MMmmm, dan ganas de probar todo! Las fotos se ven muy tentadoras y las explicaciones también!!