Perto de Paris: Rouen

8 · 8 · 2010

Durante esse nosso mês de estadia em Paris, pretendemos fazer uma visita por semana a lugares que estão a uma hora da capital. Esta semana foi a vez de Rouen, capital da Alta Normandia. A cidade já me interessava por ter sido ali onde Gustave Flaubert nasceu e onde Emma Bovary se encontrava com seu amante, León Dupuis, dizendo para o marido que ia fazer aulas de piano, aquela sem vergonha. Depois que vi algumas fotos do lugar, fiquei com mais vontade ainda de ir. Saindo da Gare Saint Lazare, a cidade está a uma hora em trem.

Rouen é uma das cidades mais antigas da França. Foi fundada no século I por um viking e sempre foi a cidade mais importante da região. Embora vários incêndios, guerras e ataques variados tenham destruído partes da cidade (na II Guerra Mundial, 45% da cidade foi destruída – lembremos que os estadunidenses desembarcaram nas praias da Normandia, ali na região), muitos prédios ainda se mantêm intactos e dão um charme especial com aquela mistura de madeira e tijolo. O que não se manteve intacto, foi reconstruído conforme o estilo tradicional da região. O relógio astronômico abaixo, por exemplo, é do século XVI.

Também em Rouen a Joana d’Arc foi julgada e queimada em praça pública, então há diversos restaurantes com o nome da santa, além do tour Jeanne d’Arc que mostra as ruas por onde ela passou. Acredito que muito tenha sido devidamente inventado por turistólogos e eu, que nunca tive nada nada nada com Joana d’Arc, fiquei fora desse ó. O que sim é fato é ela foi queimada na praça Vieux Marché.

A Catedral de Notre Dame de Rouen é uma das mais antigas da França e dizem que é uma das mais lindas da Europa. É linda mesmo, não sei se das mais. Além do mais, a fachada está em restauração, então só pude ver as laterais. Essa catedral, como outras partes de Rouen, também foi imortalizada nas mãos do Claude Monet, que fez mais de 30 quadros só com a variação de luzes durante o dia sobre a catedral. Esses quadros estão no Musée d’Orsay, em Paris. Nessa Catedral também Emma Bovary se encontra con León antes de fazerem amor na carruagem, aqueles degenerados.

O que mais gostamos da viagem foi, sem dúvida, o Musée Gustav Flaubert, principalmente porque foi uma surpresa. O museu é a casa/hospital onde ele nasceu. Seu pai era médico e ele conviveu com uma porção de coisas que hoje vemos como bastante escabrosas: kit de amputação, forceps horríveis, vários doentes no andar de cima, enfim, um hospital e uma casa ao mesmo tempo não podem ser lá muito idílicos. O museu Flaubert é também um museu de história da medicina não só com todos esses apetrechos horríveis, mas também com as relações entre o escritor e a medicina, principalmente, a influência desta em sua obra.

Fiquei impressionada de ver, por exemplo, o livro que ele estudou para escrever a parte na qual Charles Bovary se prepara para operar o rapaz com o pé torto.

E não só isso, toda a descrição que ele faz da farmácia do Monsieur Homais é porque ele tinha uma daquelas em casa. Outra coisa que achei interessante é que já naquela época, os “apotecários” se diferenciavam dos médicos, pois eram considerados por estes como charlatãos. Na casa havia, por exemplo, uma lista dos apotecários que trabalhavam na região.

Outra coisa que a parte da história da medicina mostra é como, naquela época, era comum que as senhoras de Paris mandassem as crianças para Rouen ou outras cidades do interior para serem amamentadas por amas de leite. Algumas delas viviam em extrema pobreza e contribuíam à altíssima mortalidade infantil. Isso se vê também na relação entre Emma Bovary e sua filha. Até o parto, como já sabemos, era como estar à beira da morte, fosse a mãe, fosse a criança. Vejam só os bonecos que eram utilizados para ensinar as parteiras a fazer o parto.

Fora do centrinho histórico, Rouen é uma cidade pequena que cresceu e a maioria da população vive nos subúrbios que, como acontece em todo o mundo, não tem a menor graça. É só o centro mesmo que vale.

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2 comentários

  1. GLORIA says:

    hola bella.
    Que bonito es Rouen, ya sabes que estoy podrida de envidia.Es tal y como me la imaginaba. Estubiste en casa de Gustave?
    ya me mandaras las foticos.Quiero ver más, me ha sabido a poco poquisimo.Sigue disfrutando de las historias de grandes personajes.
    un besito amore.

  2. admin says:

    Guapísima, me acordé mucho de ti en la casa de Flaubert. Emily estaría encantada allí. Después te contaré los detalles! Besos

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