Monet e a criatividade

9 · 27 · 2010

Depois de vermos aquela deliciosa exposição no Museu Marmottan, fomos conhecer a casa onde Monet morou e os jardins maravilhosos que ele pintou. Tomando um trem desde Saint Lazare até Vernon, e depois um ônibus até Giverny, o passeio é uma maravilha num dia de sol!

Monet

Monet

O que mais me chamou a atenção é como existe certa coerência entre a criatividade do pintor nas telas, na sua casa e nas coleções de quadros que ele tinha. Lógico, isso pode parecer óbvio, mas deu muito gosto de ver que ele brincava com as cores tanto em sua própria casa como nos seus quadros.

Cozinha da casa do Monet

Cozinha da casa do Monet

Repleta de amarelos, azuis, verdes, a casa guarda também uma coleção de desenhos japoneses, porcelanas e umas panelas de cobre invejáveis penduradas na cozinha. E para completar, como aparentemente ele gostava não só das panelas, como também do fogão, há várias edições com as receitas que ele e a mulher dele cozinham. No restaurante ao lado da casa, você pode provar alguns pratos, mas não saberia dizer se são bons.

Onde hoje está o galpão com a loja de souvenirs era onde o pintor se instalava para pintar os painéis gigantescos que hoje se encontram no Musée de l’Orangerie. Lá a gente encontra o livro de cozinha do Monet.

Casa do Monet, Giverny

A criatividade, como muitos especialistas dizem, não é algo que aparece num momento de inspiração, no qual se cria uma obra, boa ou ruim, e que depois passa até chegar o próximo. Ela é algo que se cultiva no cotidiano e nas coisas mínimas do dia a dia. Portanto, ela está no cuidado da nossa casa, do nosso jardim e das nossas obras, na comida que fazemos todos os dias, ou seja, no nosso modo de agir diante de todas as coisas.

Sala de jantar na casa do Monet

Sala de jantar na casa do Monet

O jardim da casa do Monet, que ele pintou em tantos e tantos quadros, talvez seja mesmo a obra mais bonita dele, desde alguma perspectiva. Quando a gente vê o chorão (salgueiro), a ponte japonesa, os nenúfares e a luz e sombra daquele dia, diferente de qualquer outro dia, que ele reproduzia com sua sensibilidade, a gente pensa: será que a natureza é mais bonita que a arte ou a arte supera a natureza?

Chorão do Monet, Giverny

No livro “Creative Fire”, Clarissa Pinkola Estées conta a seguinte história: um dia o Monet estava sentado, observando as flores de seu jardim. Passou um vizinho e disse: “Bonjour, monsieur, está descansando, não?”, ao que ele respondeu: “Não, estou trabalhando”. Outro dia, o rapaz passou e o Monet estava sentado, pintando, então ele disse: “Bonjour, monsieur, que bom vê-lo trabalhando”. Monet respondeu: “não, rapaz, eu estou descansando”.

Isso mostra o ciclo da criatividade, a necessidade de introspecção para produzir algo valioso e com sentido. Foi o que aprendi com Monet nessa visita. Porém, não se trata só de se enfurnar, de procurar a criatividade em um só aspecto da vida, mas sim viver de forma generosa e com um fluxo criativo nas mais diversas áreas de modo que, pela abundância, ela seja plasmada também na arte ou naquele aspecto que mais queremos que se desenvolva.

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2 comentários

  1. Juan Carlos says:

    Lucy, estuve en el 2009 en Giverny y me encantó. Adoro a Monet y el año pasado visite L´Orangerie; también conozco Le Marmottant en el 16eme. Saludos. Juan Carlos.

  2. Lucy says:

    Ai, que saudade de Paris…. Obrigada pelos comentários! É sempre gostoso escutar “o lado de lá”.

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