León

2 · 6 · 2011

A beleza das cidades antigas da Espanha, como León (fundada em 29 a.C.), Salamanca, Oviedo e Santigado de Compostela, ou seja, as que conheço do norte até agora, tem a ver com um transpapelamento do tempo. Inevitavelmente, eles têm um núcleo histórico surgido na Idade Média ou até antes (românico e prerromânico), com sua Plaza Mayor, sua catedral e ayuntamiento (prefeitura). Porém, cada um guarda seus traços particulares, quase sempre seu idioma local, suas comidas típicas, suas histórias.

Em León, além do mais, meu marido possui familiares queridos e tem lembranças da infância e adolescência passados na cidade. Consequência: fizemos um tour por bares que, como turista e desconhecedora, eu não teria entrado mas que são clássicos na cidade, além de saber o que pedir e como.

O mais lindo de León é a Catedral e a Basílica de San Isidoro. A primeira é uma joia do estilo gótico que começou a ser construída no século XIII e que guarda até hoje a instrospecção da escuridade e das altas colunas, além de um dos coros mais bonitos que já vi.

Catedral de León

A Basílica de San Isidoro é uma joia do período românico! Eu não entendo nada de arte românica, mas nessa viagem pelo norte pude desfrutar de vários monumentos dessa época. Trata-se de um estilo que prevaleceu na Europa dos séculos X ao XIII, principalmente vinculado à arte religiosa que surgiu na consolidação da Igreja Católica, antes do começo do gótico. O que se vê nas construções é a escassez de ornamentos e muitas vezes, em vez de esculturas, o que se veem são pinturas já de um tom avermelhado antigo, de uma beleza singela. Nas catedrais ou construções românicas foi onde eu mais senti, até hoje, estar num lugar realmente antigo, talvez porque seja um estilo muito pouco difundido (está presente, principalmente, na França, Espanha e algumas cidades da Inglaterra ou Alemanha, sendo diz o Gombrich).

Basílica de San Isidoro

Questões artísticas à parte, ou talvez nem tanto, nas viagens pela Espanha um dos pontos altos é sempre a comida. El León não podia ser diferente. Devo confessar, primeiro, que eu demorei bastante na minha vida para começar a comer morcilla (o nosso chouriço brasileiro, ou seja, uma linguiça feita com sangue). Nos sete anos que morei na Argentina, cheguei a provar só um pouquinho, não achava ruim, mas me dava nojo comer aquele negócio de sangue preto. Felizmente, os anos passam e a gente vai melhorando o paladar. Aqui na Espanha comecei a comer morcilla e a curtir muito!

Cada região da Espanha tem seu tipo específico de morcilla. Por exemplo, a morcilla com a que se faz o cocido madrileño é a de Burgos, que é feita com arroz; a morcilla de Múrcia, uma das minhas preferidas até agora, é feita com muita cebola; a de Salamanca é cortada em rodelas e frita; a de León é talvez a mais especial de todas. Embora seja vendida como uma linguiça, fechadinha, eles depois a abrem e esquentam o recheio, que é comido com pão. Além disso, é mais apimentada do que de costume (embora nada na Espanha seja tão apimentado quanto o que para nós brasileiros pode chegar a ser apimentado) e tem bastante pimentón (páprica).

Morcilla leonesa

Para quem vai viajar pela Espanha e quer ficar em um tipo bastante peculiar de hospedagem, uma opção é procurar um “parador”. Trata-se de edifícios históricos, como mosteiros ou castelos do século XV ou XVI, por exemplo, que estão nas mãos do governo e que foram transformados em hotéis de relativo luxo. Os preços podem variar, assim como a qualidade do parador. Outra coisa interessante desses lugares é que os restaurantes oferecem comidas típicas e de alta qualidade. Neste site vocês encontram mais informações a respeito. O parador de León, por exemplo, é o Monasterio San Marcos, um mosteiro do século XV super bem preservado. Nós não ficamos nesse parador, mas fica a dica para quem se interessar por esse tipo de hospedagem.

Monasterio San Marco, León

Dependendo da sua rota para o Caminho de Santiago, como disse meu irmão no seu post sobre o assunto, Léon faz parte obrigatória. Além de fazer parte da própria formação da Espanha, como baluarte católico contra os mouros que se instalaram no sul a partir do século VII, capital do reino de León que depois, já na época da descoberta da América, se juntou com o reino de Castela, León também albergou núcleos da cultura judaica até 1492. Por isso, León participa da Red de Juderías (ou Caminos de Sefarad), uma rede de cidades que, conforme diz o site, visa à “defesa do patrimônio urbanístico, arquitetônico, histórico, artístico e cultural do legado sefardi na España”. Grande parte do roteiro da “judería” da cidade de León está no bairro Humedo, que fica bem no centro histórico. O que resta, principalmente, são nomes de ruas onde os antigos artesãos e comerciantes judeus trabalhavam.

Plaza Mayor, León

Vão aqui algumas dicas de hotel e restaurantes para quem vai a León:

Hotel:  NH da Plaza Mayor. Excelente!

Restaurantes: Casa Blás e suas famosas batatas fritas picantes. Merece um post à parte. Para comer a verdadeira comida leonesa, o Bodega Regia é uma delícia. Vale a pena reservar antes.

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2 comentários

  1. Adriana says:

    Lindas fotos!
    Vou colocar na minha listinha…

  2. Lucy says:

    Obrigada! O norte da Espanha é muito lindo, Adriana 🙂

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