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Gastronomia espanhola | Flanâncias

Gastronomia espanhola

11 · 4 · 2009

A comida espanhola é mundialmente famosa pelos seus sabores, variedade e contundência. Mais importante ainda, ela vai muito além da paella. Aliás, pasmem, na maioria das vezes aqui a paella é feita com um colorante alaranjado. Outra: eles identificam rapidamente um turista quando veem alguém comendo paella à noite. Aqui arroz só se come no almoço. Outra: o “almuerzo” aqui é um lanchicho que eles tomam lá para as 11 ou 12 da manhã, porque “la comida” mesmo é depois da 1:30 da tarde.

Como acontece no Brasil também, cada região tem seus pratos típicos. Murcia, ao lado do Mediterrâneo, e considerada a horta da Espanha, tem verduras fresquíssimas o ano inteiro, tem até tomate em lata que dá para comer de colher de tão saboroso. Abaixo segue um breve “ensaio fotográfico” com algumas comidas gostosas e algumas estranhesas daqui.

O café-da-manhã em Murcia: trata-se de uma torrada de pão fresco (aqui quase não comem pão de forma; no Brasil, aliás, deve ter o triplo da quantidade de marcas), coberta com tomate recém triturado, azeite de oliva e sal para quem quiser (eu prefiro sem sal). Qual é o barato desde café? O tomate aqui é tão saboroso, que é mais gostoso que qualquer geleia.

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Café da manhã

No supermercado, como já podíamos esperar, tem uma parte só de presunto cru, ou jamón. E não é jamón crudo, é jamón. O presunto brasileiro aqui é jamón de york, totalmente de segunda classe, e é lógico que seja assim. Essa iguaria ibérica, também presente na Itália com o nome de prosciutto (mais popular entre os brasileiros, principalmente os da Moóca), é uma perna de porco curada no sal por mais de 12 meses. Depois, não se coloca na máquina para fatiar, se corta na faca e as lâminas de jamón têm de ficar transparentes. O cheiro salgado dessa seção do supermercado faz a gente enlouquecer.

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Jamón Jamón

Vamos às coisas estranhas. Aqui tem muitas! E eles me garantem que são maravilhas da culinária local. Eu já como de (quase) tudo, então permito-me não provar dessas supostas iguarias. Porém, confesso que adorei comer bochecha de porco ao vinho!

Pois bem, eles comem sangue! Não sei o que aquele famoso Conde fazia no leste europeu… E pior, é sangue meio coalhado, parece uma gelatina ou uma esponja… e é feito com piñole, que não torna nada mais agradável. E isso você como no bar, senta, pede uma cerveja e um pedaço de sangue. Eles também comem cérebro fritinho, parece um queijinho empanado… Meleca pura!

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Sangue

Eles também comem fucinho de porco ou de vaca, chamado “morro”. Nem imagino que gosto tem… se parecer a bochecha, deve ser bom, mas ainda não tive coragem.

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Morros

Voltando às delícias, nas épocas de festas em Murcia (felizmente, são várias épocas, porque Murcia está para a Espanha como Salvador está para o Brasil), eles comem o paparajote, que é nada mais nada menos que uma folha do limoeiro empanada em água, farinha, açúcar e canela e frita. Você come a casquinha que fica com aquele gostinho ao fundo do limão. Sai 1 euro a folha, acho um absurdo de caro, mas pelo menos dá para a gente se controlar, senão eu comeria o limoeiro inteiro frito.

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Paparajotes

Outra maravilha daqui é o salmorejo, uma espécie de gazpacho, ou sopa fria de tomate, só que mais encorpado, e com pedacinhos de jamón. Esse prato está principalmente na região de Salamanca, mais ao norte.

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Salmorejo

Depois virá um post só com as tapas, que são um mundo à parte aqui…

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9 comentários

  1. Julia says:

    O que eu mais gostei foi sua referencia ao filme Jamon Jamon!
    Falando em comer sangue, na argentina nao comem um troco feito de sangue tambem? Pois bem, espero que no dia 14 a gente se de um jeito de se ver em Londres!

  2. Lucy Leite says:

    Sim, Juju, aqui também comem, se chama “morcilla”, no Brasil se chama chouriço. Estou aprendendo a comer isso aos poucos, um pedacinho aqui, outro ali… e o treco é bom, viu!

  3. Rodrigo Leite says:

    Graças a excelente companhia que tive em Madrid, tive a oportunidade de provar uma parte da categoria “delícias”, entretanto as “exoticas” ainda não estou preparado para tal. A questão de comer sangue em forma de esponja ou seja lá o que for, me ocorre a origem de tal costume. Gostei da sua hipótese do Leste Europeu…aí complemento…
    - Conde Drácula, pelo fato de ser imortal, depois de muitos anos mordendo pescoços pela Europa Antiga, seus dentes ficaram gastos e resolveu mudar de vida. Saiu da Transilvânia (Romênia) para fazer o caminho de Santiago para pagar seus pecados, chegando lá, se deparou com um povo que fazia dos peixes, legumes e outros animais, verdadeiras alquimias culinárias. Ele se encantou com o os Pimentões recheados com bechamel, as almondegas, batatas assadas em molho que parecia sardela, presuntos crú, entre outros… Ele realmente encontrou seu segundo lar, depois de morder pescoços de todos os lugares e que, depois da era industrial passou a encontrar alguns em péssimo estado (suado, por exemplo) resolveu se contentar com os costumes deste povo. Anos se passaram o Conde Drácula, depois de fazer um curso de culinária no local, começou a relembrar seus velhos tempos, porém seus dentes já não eram mais os mesmos. Foi ao dentista, mas a corega não dava firmeza suficiente nem pra comer um jamón crudo. Assim resolveu lançar a moda de diversos pratos com sangue: Morcilla, Sangue Coalho, etc.. até uma bebida para acompanhar ele criou, a também conhecida como sangria, entretanto para as visitas ela era servida com vinho.
    De certo o conde deixou algumas contribuições exóticas ao local. Até minha próxima visita vou me preparando para a parte exótica!

  4. Carla says:

    Eu nunca tive coragem de experimentar o chouriço, alias sempre tive nojo de ver minha mae se lambusar, mas quando vamos pra outro pais a vontade de conhecer a cultura local e de fazer um pouco parte disso tudo è tamanha que ficamos um pouco mais abertos a essas estranhezas.
    Quando estive na Italia comi cristas de galo ao molho de vinho (claro que so me falaram depois), mas nao foi tao rui assim. Amei a bochecha de porco (“guanciale”),curtida como um salame, nao sei como e feita a de Murcia.
    Passei muito mal com a Sopressata feita com os restos das partes nao utilizadas do porco. A primeira vista parece uma mortadela, mas se a vir, fuja!!!
    O cerebro comi, pois era o meu primeiro dia no restaurante e a proprietaria me ofereceu um jantar, sentou comigo a mesa e fiquei sem graça por ser uma cozinheira e nao querer provar cerebro de ovino….meio que derrete na boca, è gorduroso demais e è mais nojento pela consistencia que pelo sabor. Depois fui aprendendo a dizer mais “no, grazie”.
    Tudo isso em nome da gastronomia!!!! Afinal quase toda a experiencia gastronomica e bem vinda.
    Apesar do curso e de trabalhar quase 5 meses no mesmo restaurante eles nunca me confiaram o corte do prosciutto crudo,fiquei mesmo com a lavagem da faca (que tem que ser a correta para tal corte) e nao è que acabei me cortando feio!!!! Ah, e de maneira alguma colocar a peça num cortador de frios,alem da espessura o cortador altera o gosto da fatia do prosciutto…algum dia vou entender melhor esse pavor pelo cortador, deve fazer mesmo diferença, mas acho que ainda preciso comer muito presunto cru pra saber notar. Vou me dedicar a esse conhecimento!!!!
    Bom Lu, vai provando bastante essas delicias e as tais “iguarias”, assim, quando formos te visitar receberemos boas indicaçoes do que è ou nao interessante….e nao vale trapacear,hein!?

  5. Lucy Leite says:

    Aliás, Carlinha, que saudade da sua comida, viu! Aqui eles também comem crista de galo… deus me livre. É verdade que o corte o jamón é um negócio sério, inclusive parece que passa de pais para filhos aqui. Ainda tenho que fazer um post especial sobre uma das melhores coisas daqui: a sobrasada de Mallorca! Quando vc vier, vou te mostrar todas as variedades. Você vai adorar… seu pai, então, nem se fale!

  6. Cristina says:

    Lucy, aqui em Madrid nunca comi o “sangue”, nem morros, nem paparajote, já o salmorejo, jamón y tostadas, o “pan tomaca” como diz meu filho, são nossos prediletos. Fiquei curiosa para conhecer essas outras iguarías españolas. Aqui, também é muito comum no inverno o cozido madrileño, que a mim no me apetece muito, e o rabo de touro. Espero o post das tapas. Besos,

  7. Lucy says:

    A foto desses morros foi tirada naquele mercado de Madri que eu sempre esqueço o nome… San Miguel? Aquele bonitão… Mas realmente o que me impressiona aqui na Espanha é a diversidade gastronômica por regiões, que no Brasil também temos, mas estamos mais longe uns dos outros. Morro de vontade de comer um buen cocido madrileño! Preciso perder uns 3 kg antes para não morrer de culpa durante a comilança….

  8. Cristina says:

    Fui hoje ao Mercado San Miguel, mas confesso que preferi as ostras do Francês. Besito,

  9. [...] ganha inclusive da cama para a siesta)! Em outros posts deste blog você encontrará mais sobre a gastronomia espanhola e um dos restaurantes mais gostosos de tapa em Madri! ¡Pues, a disfrutarlo! ▶ Nenhuma [...]

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