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	<title>Flanâncias</title>
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	<description>Um blog de viagens, cultura e estilo de vida.</description>
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		<title>Volver</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 11:56:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Flâneuse]]></category>
		<category><![CDATA[Gastronomia]]></category>
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		<description><![CDATA[Quem mora fora da própria terra talvez sinta uma grande emoção ao ouvir esse tango. Voltar tem sempre um gostinho melancólico, porque ninguém volta igual ao que saiu nem encontra tudo do jeito que deixou. Ainda bem, na verdade. Volver con la frente marchita, las nieves del tiempo platearon mi sien&#8230; Sentir que es un soplo la vida, que 20 años]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><object width="425" height="350"><param name="movie" value="kdSnNHErabQ"></param><param name="wmode" value="transparent" ></param><embed src="http://www.youtube.com/v/kdSnNHErabQ" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">Quem mora fora da própria terra talvez sinta uma grande emoção ao ouvir esse tango. Voltar tem sempre um gostinho melancólico, porque ninguém volta igual ao que saiu nem encontra tudo do jeito que deixou. Ainda bem, na verdade.</p>
<p style="padding-left: 120px;"><em>Volver con la frente marchita, las nieves del tiempo platearon mi sien&#8230; </em><em>Sentir que es un soplo la vida, que 20 años no es nada&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Em novembro voltei a Bournemouth, Inglaterra, onde morei quando tinha 17 anos, ou seja, quase 20 anos atrás! Naquela época, fui financiada por mamãe, em plena inflação brasileira e com muito esforço para me manter, mas lá estudei e agora voltei com os frutos do meu próprio trabalho. Voltar teve um gosto doce, de agradecimento, além da alegria de estar com uma amiga tão querida por lá.</p>
<div id="attachment_1885" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2012/01/DSC05139.jpg"><img class="size-large wp-image-1885 " title="Jardins de Bournemouth, Inglaterra" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2012/01/DSC05139-1024x768.jpg" alt="Jardins de Bournemouth, Inglaterra" width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Jardins de Bournemouth, Inglaterra</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 90px;"><em>La vieja calle donde el eco dijo: tuya es la vida, tuyo es su querer. Bajo el burlón mirar de las estrellas que con indiferencia hoy me ven volver&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Em dezembro, voltei a São Paulo, saindo da crise espanhola e chegando à abundância paulistana. Preços altíssimos, consumo natalino e caótico antecipando o fim do mundo que as Festas parecem representar, mas todo ano é a mesma coisa, passa Natal e Ano Novo e a renovação prometida é só mesmo na alma de cada um (e no esforço para pagar as dívidas do cartão de crédito). Voltar ao Brasil é como recarregar as pilhas de uma energia básica, comendo as comidas típicas, as não típicas, curtindo com amigos, com a criançada nova do pedaço, com a família deliciosa que tenho&#8230; É bom voltar à terra da gente.</p>
<div id="attachment_1886" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2012/01/DSC05194.jpg"><img class="size-large wp-image-1886" title="Feijoada do Seu Chico, Atibaia" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2012/01/DSC05194-1024x768.jpg" alt="Feijoada do Seu Chico, Atibaia" width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Feijoada do Seu Chico, Atibaia</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p style="padding-left: 90px;"><em>Yo adivino el parpadeo de las luces que a lo lejos van marcando mi retorno. Son las mismas que alumbraron con sus pálidos reflejos, hondas horas de dolor&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Voltei também a Buenos Aires, onde morei por 7 anos. Achei o centro triste, sujo, decaído, mas Palermo está cada vez mais bonito e cuidado. Também fiquei assustada com os preços. Há alguns anos atrás, não se podia pagar um taxi com uma nota de 100 pesos porque os motoristas não teriam troco, hoje é moeda corrente, como se fosse 50 antes. Mas continua-se comendo bem por lá, medialunas maravilhosas, massa fresca da esquina, empanadas e, desta vez, um ceviche de centolla y langostinos que me deixa nas nuvens até agora só de lembrar. E, mais ainda, os amigos que fiz por lá deixam mesmo saudade sempre. Não dá para voltar ao Brasil sem voltar a Buenos Aires. Dá próxima vez, com mais tempo&#8230;</p>
<div id="attachment_1887" class="wp-caption aligncenter" style="width: 419px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2012/01/Imagem6.png"><img class="size-full wp-image-1887" title="Medialunas, Buenos Aires" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2012/01/Imagem6.png" alt="Medialunas, Buenos Aires" width="409" height="521" /></a><p class="wp-caption-text">Medialunas, Buenos Aires</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="padding-left: 90px;"><em>Pero el viajero que huye, tarde o temprano detiene su andar&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Voltei a Múrcia, meu lar doce lar, à tranquilidade da minha vida, à rotina que também permite a criatividade e o prazer. Sempre é bom sair daqui, mas sempre é melhor ainda voltar.</p>
<div id="attachment_1888" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2012/01/DSC03316.jpg"><img class="size-large wp-image-1888 " title="Catedral de Murcia" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2012/01/DSC03316-1024x576.jpg" alt="Catedral de Murcia" width="614" height="346" /></a><p class="wp-caption-text">Catedral de Murcia</p></div>
<p>E volto também ao blog, depois de tanto tempo sem escrever. Não faltaram viagens nem leituras nem coisas para me maravilhar, só faltou tempo para sentar aqui.</p>
<p>Feliz 2012 para todos!</p>
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		<title>O que aconteceu com meu espanhol?</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 16:17:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Flâneuse]]></category>
		<category><![CDATA[Imigrante]]></category>
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		<description><![CDATA[Dois anos e meio depois de me mudar para a Espanha, e de escrever aquele post no qual falava das minhas intenções de não perder o português como tinha me acontecido na Argentina, venho aqui contar os resultados. Todos os meus amigos argentinos podem dar fé de que lá o meu espanhol era excelente. Peguei rápido e não demorou para]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/11/DSC05164.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1874" title="Mate e peineta" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/11/DSC05164-300x224.jpg" alt="Mate e peineta" width="300" height="224" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Dois anos e meio depois de me mudar para a Espanha, e de escrever <a href="http://www.flanancias.com/cairnopoconaoposso" target="_blank">aquele post </a>no qual falava das minhas intenções de não perder o português como tinha me acontecido na Argentina, venho aqui contar os resultados.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os meus amigos argentinos podem dar fé de que lá o meu espanhol era excelente. Peguei rápido e não demorou para eu sair falando como uma <em>porteña</em> mais. Quando cheguei aqui, a coisa mudou de figura e me encontrei com situações inusitadas. Para começar, eu abria a boca e as pessoas já me perguntavam &#8220;¿eres argentina?&#8221;. Bom, nada contra <em>los hermanos</em>, logicamente, mas não, eu sou brasileira! Aí as pessoas olhavam para a minha cara e não entendiam direito. Ou quando surgia alguma menção à Argentina logo olhavam para mim, mas aí ficavam confusos. Ou seja, meu castelhano portenho começou a atrapalhar minha própria identidade. Não dava.</p>
<p style="text-align: justify;">Para piorar a situação, as pessoas não entendiam exatamente o significado de muitas palavras que eu usava. Primeiro me corrigiam falando &#8220;en castellano se dice&#8230;&#8221;, quando eu estava falando castellano, só que da Argentina. Aqui vão alguns exemplos bem comuns dos maiores problemas. Começando do básico: quando dois amigos argentinos se encontram dizem &#8220;hola, che, ¿qué hacés? (ou qué tal?)&#8221; e dois espanhóis se encontram e dizem &#8220;¡Hombre! ¿Y tú qué? (ou qué tal?)&#8221;, com suas variações lá e cá, mas o &#8216;hombre&#8217; aqui não falta, seja você homem ou mulher. Uma coisa legal na Argentina se diz &#8220;copado/a&#8221;, na Espanha es &#8220;chulo&#8221; ou &#8220;guay&#8221;; o chamamento &#8220;meu&#8221; de São Paulo, usado do mesmo modo que o &#8220;che&#8221; na Argentina, aqui é inexistente, ou funciona com um &#8220;oye&#8221; ou um &#8220;acha&#8221; usado aqui em Múrcia (redução de &#8220;muchacha&#8221;), coisa que me nego a falar; na Argentina, é comum usar expressões como &#8220;me cago de frío&#8221; ou &#8220;me cago de miedo&#8221;, que quando eu falava aqui logo começavam a procurar um banheiro. Os <em>hermanos </em>falam muito &#8220;estoy podrido&#8221; quando querem dizer que estão cansados, de saco cheio; aqui eles acham a maior graça o meu &#8220;podrida&#8221;. Entendem, mas aqui não se usa. Uma palavra ótima da Argentina é &#8220;trucho&#8221; que serve para dizer que uma coisa é de má qualidade ou falsa. Aqui ainda não encontrei um sinônimo (e não porque aqui não haja coisas &#8220;truchas&#8221;).</p>
<p style="text-align: justify;">Os nomes das comidas são muito diferentes também. Para começar, o almoço na Argentina é &#8220;almuerzo&#8221; enquanto que na Espanha, o &#8220;almuerzo&#8221; é uma refeição que se faz entre o café da manhã (desayuno &#8211; lá e cá) e &#8220;la comida&#8221;. Se algum hermano pergunta &#8220;¿qué vas a tomar?&#8221; ele quer dizer &#8220;o que você vai beber&#8221;, mas aqui &#8220;tomar&#8221; pode ser beber ou comer. A abobrinha na Argentina era &#8220;zapallito&#8221;; aquí é &#8221;calabacín&#8221;, a vagem era &#8220;chaucha&#8221; e aqui são &#8220;judías verdes&#8221;; uma torta salgada era &#8220;tarta&#8221; e a doce era &#8220;torta&#8221; e aqui é justamente o contrário; creme de leite era &#8220;crema&#8221; e agora para mim virou &#8220;nata líquida&#8221;, só para citar alguns exemplos entre centenas.</p>
<p style="text-align: justify;">Aí existe outro problema: o gramatical. Na Argentina, principalmente em Buenos Aires, se usa &#8220;vos&#8221; em vez de &#8220;tú&#8221;. Então, lá é &#8220;vos sos&#8221; e aqui é &#8220;tú eres&#8221;. Até aí, tudo bem porque o tu é relativamente fácil de pegar para nós, lusófonos. O problema chega no &#8220;vosotros&#8221;! Os <em>hermanos</em>, para falar &#8220;vocês&#8221; dizem &#8220;ustedes&#8221;. Baba! Aqui, eles usam o &#8220;vosotros&#8221;. Então, se lá era &#8220;ustedes hablan&#8221; aqui é &#8220;vosotros hablais&#8221;. Eu até poderia manter o &#8220;vos&#8221;, embora soe um pouco ridículo, já que é uma forma antiga do castelhano, mas o &#8220;ustedes&#8221; não dava para manter. Aqui na Espanha eles usam &#8220;ustedes&#8221; para um tratamento excessivamente formal, que quase não é usado no dia a dia. Além disso, estão os verbos no passado que aqui são usados na forma composta (&#8220;he ido al banco&#8221;, para fui ao banco) enquanto na Argentina eles usam a forma simples (&#8220;fui al banco&#8221;).</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos passar rapidamente também na questão dos palavrões. Na Argentina, &#8220;coger&#8221; é realizar o ato sexual (vulgo, f****), mas aqui na Espanha se &#8220;coge un autobús&#8221;, &#8220;coge una gripe&#8221;, &#8220;coge algo que se ha caído al suelo&#8221;, etc. É como &#8220;pegar&#8221; no Brasil. &#8220;Concha&#8221;, na Argentina, é o órgão sexual feminino, e aqui é um nome de mulher (apelido de Concepción) e de uma amiga querida. Aqui, o órgão sexual masculino é uma &#8220;polla&#8221;, lá é uma &#8220;pija&#8221;. Tudo bem, são palavras que a gente não usa assim em público e não dá para confundir, só que &#8220;saia&#8221; (prenda feminina) na Argentina é &#8220;pollera&#8221; e com essa palavra sim passei uns bons apuros.</p>
<p style="text-align: justify;">E não para por aí. Aqui eles pronunciam o &#8220;z&#8221; e o &#8220;c&#8221; colocando a língua entre os dentes, como se tivessem a língua presa. O problema está em que eles acham errado pronunciar o &#8220;z&#8221; e o &#8220;c&#8221; com som de &#8220;s&#8221;, como se faz em TODA a América Latina e todo o mundo se entende muito bem. Por exemplo, quando digo que meu nome é Lucy, se eu não pronuncio o &#8220;c&#8221; do jeito deles, eles são capazes de me perguntar se se escreve com &#8220;s&#8221;! Isso entre alguns outros sons, como os do &#8220;y&#8221; e &#8220;ll&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Consequência disso tudo: meu espanhol piorou! Algumas pessoas me dizem que eu deveria falar meu espanhol argentino mesmo, e eu até falaria se todo o mundo entendesse e não achasse que eu estou misturando com palavras do português. Ou pior ainda, se não me confundissem com argentina (insisto: não gostaria de ser confundida com nenhuma outra nacionalidade). Como estrangeira, eu devo aprender e falar o espanhol daqui da melhor forma possível. Além do mais, as pessoas devem me entender. Não adianta eu tentar comprar &#8220;papas&#8221; aqui quando o que se vende são &#8220;patatas&#8221;. É todo um vocabulário novo, expressões novas, forma nova de se comunicar. Aliás, diga-se de passagem, ainda bem que o espanhol é muito mais fácil para a gente se relacionar do que os argentinos, que são bastante &#8220;retorcidos&#8221;, como eles mesmos dizem.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém, agora eu sinto que eu falo (além do inglês) três idiomas: espanhol de lá, espanhol de cá e português. De certo modo, é como se eu tivesse ido para Portugal e estivesse tentando falar um português que não é o meu, e isso implica um esforço enorme, porque agora minha cabeça lida com três línguas diariamente. Outro dia, falando com uma amiga argentina, ela me disse: &#8220;Lucy, ya estás hablando como los gallegos&#8221; (os &#8220;gallegos&#8221; para eles são os espanhóis), mas aqui dizem que ainda tenho sotaque argentino.</p>
<p style="text-align: justify;">Há dois anos atrás eu disse &#8220;cair no poço não posso&#8221;, mas terminei caindo em outro poço que eu não esperava. Lógico, as pessoas aqui dizem que eu falo muito bem e tal, mas eu sei o esforço que é para mim não soltar um &#8220;che&#8221;, un &#8220;viste?&#8221;, un &#8220;dale&#8221; em vez de &#8220;vale&#8221;, entre tantas outras coisas. A vantagem é que para mim é um prazer aprender a falar o espanhol de cá porque realmente é mais bonito, é muito criativo e tem umas expressões engraçadíssimas (tema para outro post e, para começar, vejam o vídeo abaixo sobre a palavra &#8220;cojones&#8221;). Então, sinto que vou enriquecendo meu vocabulário. Enquanto isso, fico nesse limbo linguístico, e tenho poucas esperanças de que melhore muito no curto prazo.</p>
<p style="text-align: justify;"><object width="425" height="350"><param name="movie" value="qMaOX09Ih1g&amp;feature=related"></param><param name="wmode" value="transparent" ></param><embed src="http://www.youtube.com/v/qMaOX09Ih1g&amp;feature=related" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
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		<title>Comer em Veneza</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Nov 2011 19:33:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucy</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caffè Italiano]]></category>
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		<description><![CDATA[Não tem como escapar: Veneza é um roubo a mão armada e principalmente no mês de agosto, quando fomos! Imagino que a cidade se vendeu para as luas-de-mel, quando os casais estão tão loucos que nem pensam no preço das coisas. Ou para os donos de iates dos filmes do James Bond. Como disse o Geoff Dyer em seu livro,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Não tem como escapar: Veneza é um roubo a mão armada e principalmente no mês de agosto, quando fomos! Imagino que a cidade se vendeu para as luas-de-mel, quando os casais estão tão loucos que nem pensam no preço das coisas. Ou para os donos de iates dos filmes do James Bond. Como disse o Geoff Dyer em seu <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=22165580&amp;sid=833741166131115593456265811" target="_blank">livro</a>, Veneza é um simulacro. Ela parece estar lá, mas na verdade só existe nos olhos dos turistas, depois que você vai embora, Veneza não existe mais. Não dá para explicar a vida naquela cidade&#8230; vida normal, digamos. Ali, ou se vive do turismo ou se vive da manutenção de pontes. Incompreensível.</p>
<p><strong>Cichetti</strong></p>
<p>Bom, mas encontramos uma saída maravilhosa aos pratos caríssimos dos restaurantes turísticos: os cichetti. Sem tirar nem por, essa é a versão veneziana das &#8220;<a href="http://www.flanancias.com/entre-tapas-e-canas-1" target="_blank">tapas</a>&#8221; espanholas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4116.jpg"><img class="size-medium wp-image-1853 aligncenter" title="Cichetti, Veneza" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4116-300x200.jpg" alt="Cichetti, Veneza" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">São comidas de bar, para comer com a mão. Em um restaurante, por exemplo, quando dissemos que íamos comer cichetti, tiraram absolutamente tudo o que tinha sobre a mesa (toalha, pratos, copos, garfo e faca, tudo!). Nessa seleção acima tinha desde tomate recheado, até azeitona empanada e frita, croquete, berinjela grelhada, espetinho de camarão, e, como não podia faltar, os reis do cichetti: a <strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=no8cVD8NsaE&amp;feature=related" target="_blank">sarde en saor</a></strong> e o <strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=TpCkMrgE6y8" target="_blank">baccalà mantecato</a></strong>, servidos na polenta. O primeiro é uma sardinha marinada em vinagre com muita cebola. O segundo é um bacalhau triturado numa espécie de creme batido feito com azeite de oliva, mas parece manteiga. Esses dois pratos são típicos venezianos e podem ser encontrados no cardápio fora dos cichetti também (podendo chegar a valer EUR 20 o prato).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4117.jpg"><img class="size-medium wp-image-1854 aligncenter" title="Cichetti, Veneza" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4117-300x200.jpg" alt="Cichetti, Veneza" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes, entrávamos em um restaurante, nos sentávamos e pendíamos cichetti; outras, comíamos no balcão, com um taça de vinho branco ou cervejinha. Por exemplo, no <a href="http://www.ostariadaizemei.it/inaugurazione.htm" target="_blank">Dai Zemei</a> no bairro de San Polo, onde estava o nosso apê.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/11/IMG_4450.jpg"><img class="size-medium wp-image-1858 aligncenter" title="Comida veneziana, cichetti" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/11/IMG_4450-300x200.jpg" alt="Comida veneziana, cichetti" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Por um lado, como estávamos em um apartamento alugado, conseguimos nos livrar das bicas nos restaurantes cozinhando em casa (embora não conseguíssemos nos livrar dos altos preços no supermercado). Por outro, comíamos cichetti sempre que possível e era sempre uma delícia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gianduiotto</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No nosso primeiro restaurante de cichetti, batemos um papo (na medida do possível e do nosso escasso italiano) com a garçonete que falou para gente não perder o tal <em>gianduitto</em> no Da Nico, em Zattere. Confesso que não sou muito chegada ao doces nem de chocolate, mas a coisa é séria. Trata-se de uma barra de sorvete de gianduia (chocolate com avelã) servida com chantily, que suaviza o sabor forte do chocolate. Realmente, imperdível. Os outros sorvetes também não deliciosos!</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4262.jpg"><img class="size-medium wp-image-1855 alignnone" title="Gianduiotto, Veneza" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4262-200x300.jpg" alt="Gianduiotto, Veneza" width="200" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A pescheria de Rialto</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ficamos apenas 5 dias em Veneza no final de agosto e o que deu para ver é que as &#8220;osterias&#8221; mais tradicionais estavam fechadas, inclusive aquelas que vendem cichetti de peixe cru (tipicamente veneziano) perto do mercado. Aliás, isso foi algo que procuramos, mas não conseguimos comer. O próprio mercado de peixes em Rialto é imperdível, só que em agosto muitos postos estavam de férias.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/11/IMG_4446.jpg"><img class="size-medium wp-image-1860 aligncenter" title="Pescheria, Rialto, Venezia" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/11/IMG_4446-300x200.jpg" alt="Pescheria, Rialto, Venezia" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Nós curtimos a valer, claro, mas quem puder evitar Veneza em agosto, fica a dica!</p>
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		<title>O gueto de Veneza</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 15:33:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucy</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os guetos não foram inventados pelos alemães na Segunda Guerra, mas pelos venezianos ou talvez por outros antes deles. Veneza virou Veneza entre os séculos XI e XV quando a proximidade com as rotas do Oriente foi transformando a cidade em um polo rico e exuberante, uma metrópole multicultural onde se encontravam mercadores de toda a Europa, da Turquia, Grécia,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4402.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1837" title="O prédio da antiga aduana de Veneza" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4402-300x200.jpg" alt="O prédio da antiga aduana de Veneza" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Os guetos não foram inventados pelos alemães na Segunda Guerra, mas pelos venezianos ou talvez por outros antes deles. Veneza virou Veneza entre os séculos XI e XV quando a proximidade com as rotas do Oriente foi transformando a cidade em um polo rico e exuberante, uma metrópole multicultural onde se encontravam mercadores de toda a Europa, da Turquia, Grécia, norte da África e, lógico, muitos judeus (já no século XVI, inclusive aqueles que eram expulsos da Espanha e de Portugal). Como os cristãos não podiam praticar a usura (mas nunca deixaram de precisar de dinheiro emprestado aos usureiros), nada mais prático do que deixar essa tarefa aos judeus. Lógico, naquela época (e até hoje, certamente), a desmesura com o dinheiro estava relacionada ao pecado da carne e assim, aos poucos, os judeus eram considerados sujos, impuros, e até rabo de porco se dizia eles tinham. A criatividade humana não tem limite!</p>
<p style="padding-left: 60px; text-align: justify;"><em>&#8220;O estudo do preconceito religioso não é um exercício de racionalidade. O desejo de pureza, escreveu a antropóloga Mary Douglas, expressa os medos de uma sociedade. [...] Os venezianos acreditavam estar ameaçados pelo declínio sensual e, deste modo, colocaram sobre os judeus a auto-aversão que sentiam.&#8221; </em>(Richard Sennett)</p>
<p style="text-align: justify;">Mandar os judeus embora eles não podiam, não só porque precisavam dos empréstimos, mas também porque os judeus pagavam mais impostos do que qualquer um. O que fizeram então? Segregaram. Confinaram-nos em um gueto. A palavra gueto provem de gettare (derramar), ou ghetto, que naquela época se referia às fundições. O Ghetto Nuevo e o Ghetto Vecchio eram as zonas de fundição de Veneza e como a primeira podia ser facilmente &#8220;lacrada&#8221; transferiram para ali todos os judeus da região. No cair da tarde, fechavam os portões para abri-los novamente no dia seguinte, quando os judeus podiam sair e viver na cidade como outra pessoa qualquer (só que portando alguma marca distintiva: um pano amarelo no braço, ou um lenço amarelo, etc.).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4356.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1840" title="Cinco janelas para a sinagoga, Veneza" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4356-300x200.jpg" alt="Cinco janelas para a sinagoga, Veneza" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Mas não só os judeus eram confinados. Havia também um gueto para os alemães (principalmente para os que aderiram à Reforma), para os turcos, gregos, etc. No gueto, os judeus viviam como podiam, mas, dentro de tudo, dignamente. Eles não tinham direito a construir prédios e é por isso que, para solucionar problemas de espaço, eles iam acrescentando andares em cima dos prédios que existiam. Isso explica por que em Canareggio, onde estão os Ghetto Nuevo e Vecchio, estão os prédios mais altos de Veneza.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4362.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1841" title="Prédio altíssimo em Veneza" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4362-200x300.jpg" alt="Prédio altíssimo em Veneza" width="200" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Eles também não podiam construir sinagogas. Por isso, nos prédios que usavam como sinagoga eles construíam cinco janelas, para que pudessem ser identificadas de fora. Durante a peste, os judeus, que tradicionalmente também se dedicaram à medicina, mal podiam sair do gueto. Os médicos que podiam sair para tratar pacientes cristão deviam sair cobertos por uma capa e uma máscara como as da foto abaixo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4459.jpg"><img class="size-medium wp-image-1839 aligncenter" title="Roupa de médico judeu durante a peste, Veneza" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/IMG_4459-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje são poucos os judeus que moram em Veneza, mas você pode visitar o gueto, fazer uma visita guiada pelas três sinagogas antigas e aprender um pouco mais sobre a história. Ao vermos a cidade com suas gôndolas tão românticas esquecemos que, como toda cidade, ela está construída sobre os ossos de miseráveis. A história do homem é também a história de sua crueldade, e sabemos que até muito pouco tempo atrás essa história se repetia, e sempre pode se repetir se a banalidade continuar prevalecendo sobre o conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para ler mais:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/2449135.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1842" title="Carne e pedra, Richard Sennett" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/2449135-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Carne e Pedra &#8211; O  Corpo e a Cidade na Civilização Ocidental</strong>, Richart Sennett. Neste livro ele conta não só a história do gueto de Veneza, mas também explica o contexto histórico que deu origem à obra de Shakespeare, O Mercador de Veneza.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/64148.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1843" title="Origens do totalitarismo, Hannad Arendt" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/64148-125x150.jpg" alt="" width="125" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Origens do Totalitarismo</strong>, Hannah Arendt, que conta a história do anti-semitismo desde tempos imemoriais até o século XX.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/3185188.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1844" title="O mercador de Veneza, William Shakespeare" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/10/3185188-123x150.jpg" alt="" width="123" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O mercador de Veneza</strong>, William Shakespeare. Antonio pede ao judeu Shylock 3000 ducados emprestados para que seu amigo, Bassanio, devolva o dinheiro em três meses. Caso Bassanio não possa pagar, Shylock exige uma libra de carne de Antonio.</p>
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		<title>O adeus aos touros</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Sep 2011 13:34:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucy</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje se trava a última batalha na Plaza de Toros &#8220;El monumental&#8221;, em Barcelona. As &#8220;corridas&#8221;, como se chamam aqui as touradas, foram proibidas na Catalunha. Lendo um especial que saiu no jornal sobre o assunto, quase chorei de emoção. Até hoje não tive coragem de ir &#8220;a los toros&#8221;. Logo que cheguei, tive a intenção, apesar de, antemão, achar]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1827" class="wp-caption aligncenter" style="width: 263px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/josetomas253.jpg"><img class="size-full wp-image-1827" title="José Tomás, o torero do momento" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/josetomas253.jpg" alt="" width="253" height="322" /></a><p class="wp-caption-text">José Tomás, o torero do momento</p></div>
<p style="text-align: justify;">Hoje se trava a última batalha na Plaza de Toros &#8220;El monumental&#8221;, em Barcelona. As &#8220;corridas&#8221;, como se chamam aqui as touradas, foram proibidas na Catalunha. Lendo um especial que saiu no jornal sobre o assunto, quase chorei de emoção.</p>
<p style="text-align: justify;">Até hoje não tive coragem de ir &#8220;a los toros&#8221;. Logo que cheguei, tive a intenção, apesar de, antemão, achar a festa uma barbárie estúpida. Quando tive minha primeira oportunidade de ver uma &#8220;corrida&#8221;, fiquei sabendo também que eles matam até oito touros em uma só tarde. Eu não consigo ver nem um só animal sendo morto pela televisão. Além do mais, nas &#8220;plazas de toros&#8221; eles não providenciam saquinhos especiais para as intolerâncias estomacais, como nos aviões. Então, até hoje não fui.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que antes de eu vir, eu pensava que era uma festa retrógrada, celebrada por setentões ignorantes (talvez pensasse, inclusive, que iriam homens apenas ou principalmente), que logo entraria em decadência. Quanto engano! A paixão pelos touros é nacional e, para os aficcionados, trata-se, sim, de uma arte. Ouvir um fã dos touros falar de uma &#8220;faena&#8221; é tão emocionante quanto incompreensível. O mundo da tauromaquia venera os touros (animais que são criados com o maior primor e preparados para a &#8220;lidia&#8221; (de lidar) como força vital. Existe um amor e um respeito pelo animal. Quando você escuta várias pessoas descrevendo as mesmas emoções, nas quais aparecem palavras como &#8220;baile&#8221;, &#8220;arte&#8221;, &#8220;tradición&#8221;, &#8220;oreja&#8221; (orelha), &#8220;respeto&#8221;, todas para falar de um espetáculo público no qual um homem franzino mata um animal de 500 kg, a gente percebe que se trata de uma dimensão paralela, sobre a qual é melhor se abster de opinar. São homens, mulheres, jovens, velhos, gente muito bem educada e decente os que amam os touros, vão às &#8220;corridas&#8221; ou assistem pela televisão. Aliás, um dos argumentos dos &#8220;taurinos&#8221; é que Ernest Hemingway também era fanático pelos touros&#8230; e é verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, entre tantas coisas novas que tive que incorporar ao meu espanhol, vindo da Argentina para a Espanha, foi todo um vocabulário &#8220;taurino&#8221; impressionante. Por exemplo, quando existe pressão para que alguma coisa seja feita, aqui se diz &#8220;que te pilla el toro&#8221;; se alguém é muito hábil se diz que é um &#8220;torero&#8221;; antes de começar alguma atividade (difícil, talvez, algo que inclusive chamariam de &#8220;faena&#8221;), eles dizem &#8220;suerte y al toro!&#8221;; o verbo &#8220;torear&#8221; é usado até pelos anti-taurinos para explicar como lidaram com uma situação. Aqui os touros estão na boca do povo. E mais ainda: os muy fanáticos dizem que o mapa da Espanha tem o formato de uma pele de touro aberta e, por isso, chamam seu país de &#8220;piel de toro&#8221;, como a Itália é chamada de &#8220;bota&#8221;.</p>
<div id="attachment_1831" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/05-Luque-1-muleta-V.jpg"><img class="size-medium wp-image-1831" title="O corpo a corpo" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/05-Luque-1-muleta-V-300x225.jpg" alt="O corpo a corpo" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">O corpo a corpo</p></div>
<p style="text-align: justify;">Por um lado, é claro que a festa é pura barbárie, mas por outro, para ser coerente com uma opinião contra as &#8220;corridas&#8221; em defesa dos animais (como supostamente foi o caso na Catalunha), eu deveria, também, ser vegetariana. Tenho certeza de que muitos mais animais morrem para ir à nossa mesa do que os que morrem nas Plazas. Além disso, ser contra os rodeios, os churrascos, e outras celebrações em cujo cerne está o touro, vivo ou morto.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais do que acabar com a festa, eu acho que deveria haver mais igualdade. Morrem muitos mais touros do que toureiros. Lógico, nesse espetáculo que mostra a supremacia da inteligência humana sobre o mero instinto animal, não teria muita graça se o toureiro saísse perdendo. Seria uma derrota para toda a humanidade. Ou não, como diria o Caetano. Talvez se morressem mais toureiros o homem aceitaria sua condição mais bestial e irracional que, afinal de contas, também faz parte da festa. O matiz seria outro e o touro não poderia (por pura incapacidade motriz) cortar as orelhas do toureiro (porque quando o toureiro faz uma boa faena, matando o touro sem que ele sofra demais, ou seja, espetando a &#8220;banderilla&#8221; no lugar certo, o árbitro lhe dá o direito de cortar uma orelha do touro e, se o cara for um gênio absoluto dessa &#8220;arte&#8221;, ele pode cortar até as duas orelhas do touro).</p>
<div id="attachment_1828" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/protesta-nudista-corridas-toros-04.jpg"><img class="size-full wp-image-1828 " title="Protesto contra as corridas de touros" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/protesta-nudista-corridas-toros-04.jpg" alt="" width="450" height="313" /></a><p class="wp-caption-text">Protesto contra as corridas de touros</p></div>
<p style="text-align: justify;">Os &#8220;encierros de San Fermín&#8221;, outra festa taurina incompreensível, também são venerados e, essa sim, acho a mais bizarra das celebrações. Nela, fica uma multidão de corredores a postos nas ruas. Soltam os touros, que saem correndo detrás do povo e é um salve-se quem puder. Existe todo um cuidado para deixar apenas os corredores especialistas (!!!), porque sempre tem algum inglês embriagado que, depois de correr algumas maratonas, acha que pode correr dos touros. Sempre sai algum de ambulância, mas até que morre bem menos gente do que eu esperaria. O que faz essas pessoas quererem correr dos touros é algo que torna cada um de nós, seres humanos, únicos, incompreensíveis e profundamente estranhos.</p>
<div id="attachment_1829" class="wp-caption aligncenter" style="width: 513px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/Imagem3.png"><img class="size-full wp-image-1829" title="Encierro de San Fermín" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/Imagem3.png" alt="Encierro de San Fermín" width="503" height="395" /></a><p class="wp-caption-text">Encierro de San Fermín</p></div>
<p style="text-align: justify;">A tauromaquia está repleta de símbolos, tradições e valores de mais de mil anos de história que, apesar desse adeus em Barcelona estão longe de terminar em toda a Espanha. Alguns dizem que a decisão de proibir as &#8220;corridas&#8221; na Catalunha não tem a ver com uma defesa dos animais, mas sim com uma atitude anti-espanhola (afirmando a independência catalã do resto do país). E outros reclamam é que as &#8220;corridas&#8221; estão sendo cada vez mais realizadas na França e que, qualquer dia, elas mudam de nacionalidade (como os imigrantes que se nacionalizam em outro país por conveniência, digo eu). Talvez, nesta altura do campeonato, a humanidade deveria estar um pouco mais segura de si quanto à sua capacidade de dominar o mundo todo, quem dirá dominar um só animal, sem precisar se gabar, com pompa e muito sangue, da sua força e inteligência. Mas quem, em sã consciência, acha o homem um animal tão inteligente assim?</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>O melhor guia de Florença</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 08:53:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucy</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nós até compramos aquele guiazinho básico da Lonely Planet, com seu mapinha, indicações pobres de restaurantes (no verão, tudo que é bom está fechado), mas o que nos serviu mesmo foi um livro de história da arte e da arquitetura de Florença. Fomos lá ver arte, que é o melhor que a cidade tem para oferecer. Fomos ver o berço]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nós até compramos aquele guiazinho básico da Lonely Planet, com seu mapinha, indicações pobres de restaurantes (no verão, tudo que é bom está fechado), mas o que nos serviu mesmo foi um<a href="http://www.amazon.com/Art-Architecture-Florence-Rolf-Wirtz/dp/3833114819" target="_blank"> livro de história da arte e da arquitetura de Florença</a>. Fomos lá ver arte, que é o melhor que a cidade tem para oferecer. Fomos ver o berço do Renascimento, a arquitetura do Brunelleschi, as grandes obras do Ghirlandaio, as escadas do Michelangelo, o Nascimento de Vênus do Boticelli, os afrescos, enfim, para esbaldar-nos até tremer à beira de uma síndrome de Stendhal. Isso fizemos e para isso estivemos 10 dias. Sem correrias, curtindo com tempo cada obra. Para quem se interessa por arte, esse livrinho vale a pena.</p>
<p><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/Imagem2.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-1818" title="Arte e arquitetura em Florença" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/Imagem2.png" alt="Arte e arquitetura em Florença" width="433" height="489" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Inferno em Florença</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Sep 2011 14:09:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucy</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alguns livros pertencem às suas cidades, como um monumento público, um parque, um memorial, como o Cristo Redentor ao Rio de Janeiro. O ideal seria ler &#8220;Dubliners&#8221; em Dublim, &#8220;Paris é uma festa&#8221; em Paris, &#8220;A trilogia de Nova York&#8221; em Nova York, como tantos outros livros nos quais a cidade é um personagem mais (como Woody Allen consegue fazer]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/IMG_3597.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1809" title="Dante, Santa Croce, Firenze" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/IMG_3597-300x200.jpg" alt="Dante, Santa Croce, Firenze" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Alguns livros pertencem às suas cidades, como um monumento público, um parque, um memorial, como o Cristo Redentor ao Rio de Janeiro. O ideal seria ler &#8220;Dubliners&#8221; em Dublim, &#8220;Paris é uma festa&#8221; em Paris, &#8220;A trilogia de Nova York&#8221; em Nova York, como tantos outros livros nos quais a cidade é um personagem mais (como Woody Allen consegue fazer tão bem no cinema). Só assim, além de obra de arte,  o livro se transforma em um mapa ou guia para se andar pela cidade, abrindo nossos olhos para novos lugares e ruas que, na maioria das vezes, estão livres (felizmente) da voragem turística.</p>
<p style="text-align: justify;">Também existe um prazer ao reconhecer os lugares mencionados no livro, um café ou uma esquina ou um bar, saber que ao virar aquela rua existe uma igreja e não um abismo. É uma cumplicidade entre o leitor e o escritor que vai além da ficção, na qual se reconhece o que há de real por trás de uma trama: uma cidade que inspirou e deu vida e, ao mesmo tempo, é eternizada em páginas que, infelizmente, muita gente não lê. Por isso é também um prazer com sabor a exclusividade, a gourmandice. Afinal, Macondo ou Yoknapatawpha sempre nos inflam de imaginação e criatividade, mas deixam a tristeza de não existirem.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi essa cumplicidade e esse prazer que senti ao reler o <em>Inferno</em>, de Dante Alighieri, em Florença. Embora Dante não escrevera sua <em>Comédia</em> ali, pois já estava em seu desterro, Florença era sua pátria e foi a língua de Dante que veio, posteriormente, a unificar (até onde isso foi e é possível) a região sobre um &#8220;único&#8221; italiano. Ao descer aos infernos, acompanhado pelo seu poeta favorito, Virgilio, Dante vai encontrando personalidades da época, conhecidos, nomes e sobrenomes que encontramos nas ruas da cidade. Não só isso, a obra de Dante foi tão importante em sua época que a forma de representar o inferno, adotada pela igreja católica, se alimentou da criatividade da Comédia. Assim, ao visitar igrejas, baptistérios, museus, Dante aparece representado uma e outra vez; não só ele mesmo, mas também as cenas horripilantes do seu percurso junto ao poeta. O baptistério de San Giovanni, onde ele foi batizado, o túmulo de Beatrice, sua musa, o Palazzo de Bargello, onde se proclamou o desterro do poeta, o túmulo de Bruneto Lattini (professor de Dante) na Santa Maria Maggiore, e, o que é mais maravilhoso ainda, os afrescos Giotto, supostamente amigo de Dante.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/IMG_3416.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1811" title="Túmulo de Beatrice, Firenze" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/IMG_3416-300x200.jpg" alt="Túmulo de Beatrice, Firenze" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Inferno</em>, a primeira parte da Comédia (que depois passou a ser também <em>Divina</em>), foi escrito entre 1304 e 1307. A distância que nos separa dessa época torna praticamente impossível apreciar, dentro do nosso conhecimento mediano, não acadêmico, uma obra medieval sem algum comentador ou auxílio. Não quer dizer que o poema seja incompreensível; porém, existem referências históricas, iconográficas e religiosas que se perderam nos nossos dias. Entre os séculos XIII e XIV, qualquer pessoa razoavelmente culta sabia latim, às vezes grego, conhecia a obra dos poetas e gregos clássicos, traduzidos pela Escola de Toledo, centro europeu de tradução na Idade Média, conhecia Ovídio, Platão, Aristóteles, Homero; conhecia também a iconografia cristã, os martírios dos santos, como eles eram representados pictoricamente. Ou seja, havia todo um mundo que nos é alheio hoje, muito além, lógico, dos conflitos políticos e sociais que são igualmente importantes para Dante (e que o levaram ao desterro).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/Imagem1.png"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1810" title="La Divina Comedia, Dante, ilustrada por Boticelli" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/09/Imagem1-227x300.png" alt="La Divina Comedia, Dante, ilustrada por Boticelli" width="227" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, era fundamental, para ler e desfrutar realmente da <em>Comédia</em>, um professor ou um &#8220;Virgílio&#8221; que me guiasse por esse mundo antigo. Então, munida, primeiro, da edição bilíngue da Seix Barral (traduzida e anotada por Ángel Crespo) e, segundo, do meu iPhone (com iTunes U), baixei um <a href="http://oyc.yale.edu/italian-language-and-literature/dante-in-translation/" target="_blank">curso delicioso da Yale</a> (Open Yale Courses) do Giuseppe Mazzotta, professor apaixonado e teatral como qualquer italiano que se preze, e reli o <em>Inferno </em>(tinha lido pela primeira vez um pouco antes de chegar a Florença).</p>
<p style="text-align: justify;">No calor infernal de Florença da uma às cinco da tarde, quando só podíamos estar sob os 20 graus do ar condicionado, eu aprendia em casa o que depois ia ver na rua. Para completar, a edição da Divina Comédia com as ilustrações do Boticelli. Foram momentos deliciosos e preguiçosos, de descanso e prazer, dignos de um verão na Itália.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Milão, para apreciar o espaço urbano</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Aug 2011 22:34:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucy</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Planejando a viagem de verão à Itália, conversamos com inúmeras pessoas que coincidiam em uma coisa: &#8220;que sem graça é Milão, com três dias no máximo vocês veem tudo&#8221;. Ainda estamos tentando nos explicar o porquê dessa apreciação tão negativa de uma das grandes capitais da Europa. E mais, como uma cidade mundialmente conhecida pela moda e pelo design, ou seja, por um interesse na beleza, poderia ser vista em apenas três dias (sendo que eu recomendo dois dias inteiros para ver Múrcia). Este post é o resultado de conversas que tive para tentar entender isso e está aberto ao debate: quem tiver uma boa explicação para isso, por favor, comente.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, é verdade que, comparada a Roma, por exemplo, Milão tem poucos pontos turísticos daqueles reconhecíveis nas fotos, além do Duomo e da Galeria Vittorio Emanuele. Mas por que uma cidade precisa ser um parque de atrações turísticas para ser interessante?</p>
<div id="attachment_1797" class="wp-caption aligncenter" style="width: 487px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/08/IMG_2748.jpg"><img class="size-large wp-image-1797 " title="Brera - Milão" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/08/IMG_2748-682x1024.jpg" alt="Brera - Milão" width="477" height="717" /></a><p class="wp-caption-text">Brera - Milão</p></div>
<p style="text-align: justify;">Segundo, por algum motivo que vai além da minha compreensão turismo é sinônimo de consumo. Nesse sentido, Milão pode ser um paraíso ou um inferno. A indústria do luxo que move Milão e, até certo ponto, transforma algumas partes dela em <em>não lugares</em>, ruas cheias de loja que poderiam estar ali ou em qualquer outra cidade, com as mesmas marcas, as mesmas caras magras e belas carregando sacolas enormes, além das turistas muçulmanas com véus e bolsas da Louis Vitton, que também esbajam seus petrodólares por Roma, Paris e Londres. No <em>quadrilatero d&#8217;oro</em>, apesar de certa mesmice, há beleza, criatividade, design, arte que os desconhecedores da moda podem apreciar e desfrutar (quando a carteira não está o suficientemente cheia para comprar). A contraparte &#8220;pobre&#8221;, outro <em>não lugar</em>, empregnada de lojas que vendem as mesmas coisas que a Gran Via de Murcia e de qualquer cidade grande, é o Corso Buenos Aires. Ali, Zara, Mango, Stradivarius e outras mais econômicas que compartilham o gosto pela música alta que transforma a loja em uma minibalada. Consequência disso: o que mais tem em Milão são turistas comprando.</p>
<div id="attachment_1798" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/08/IMG_3026.jpg"><img class="size-large wp-image-1798 " title="Navigli - Milão" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/08/IMG_3026-1024x682.jpg" alt="Navigli - Milão" width="614" height="409" /></a><p class="wp-caption-text">Navigli - Milão</p></div>
<p style="text-align: justify;">Além dos pontos turísticos e de consumo (são a mesma coisa?), Milão é uma cidade cheia bairros gostosos para passear, com arquitetura mais moderna ou tradicional, com parques lindos, jardins, cafés, becos, livrarias, gente elegante para apreciar, restaurantes deliciosos, bares descolados que servem uns <em>aperitivi</em> de enlouquecer. Por exemplo, o Parco Sempione, enorme e belíssimo, com cafés e sombra para um piquenique ou, a partir das 6 da tarde, o Corso Sempione cheio de lugares deliciosos para tomar um aperitivo (você paga uma bebida e se serve a vontade de um buffet cheio de comidas gostosas); a livraria de arte do G. Armani tem tudo para quem gosta não só de moda e design, mas também arte e fotografia; caminhar pelo Corso Garibaldi até o Anteo Spazio Cinema para ver um filme legendado (como na Espanha, a maioria dos cinemas só oferece filmes dublados) ou senão dar um passeio pelo Giardinni Pubblici antes de ir à Cinemateca local; por que não ir à Ópera ou a um show de rock, ou provar várias cotolette milanese até encontrar a sua preferida; sentar para observar os punks que passam pela praça da Basilica San Lorenzo Maggiore, enquanto você toma uma grappa diante da Columnata de San Lorenzo; visitar as inúmeras galerias de arte moderna; tomar um café na Villa Necchi-Campiglio; enfim, tem de tudo para todos os gostos, como uma boa cidade grande.</p>
<div id="attachment_1801" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/08/IMG_30231.jpg"><img class="size-large wp-image-1801 " title="Villa Necchi-Campiglio - Milão" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/08/IMG_30231-1024x682.jpg" alt="Villa Necchi-Campiglio - Milão" width="614" height="409" /></a><p class="wp-caption-text">Villa Necchi-Campiglio - Milão</p></div>
<p style="text-align: justify;">Parece ser que o turismo tradicional não aprecia a cidade pelo que ela é, não valoriza o espaço urbano pelo que ele oferece nem o estilo de vida que ele proporciona. Reduzir uma cidade aos seus pontos turísticos nos priva, primeiro, do conjunto, dos arredores, do ambiente onde aquela atração turística se encontra. Além disso, não nos dá tempo para perambular, ou flanar e, consequentemente, observar. Nem sempre temos a oportunidade de conhecer locais, o que é uma pena, mas um simples capuccino na esquina de manhã, com a orelha em pé e os olhos atentos já nos enchem de anedotas para contar. Essa é, para mim, uma das maiores vantagens de alugar um apartamento em vez de ficar em hotel: conhecer o pessoal do bairro, ir ao supermercado, à farmácia, ao correio. Em tão pouco tempo como sete míseros dias, já virei <em>habitué</em> de um café do bairro (hábito maldito, como disse o Bernhard, mas inevitável para os que gostamos disso) e lá encontrava toda manhã o grupo de senhores aposentados que se juntavam para falar da vida.</p>
<div id="attachment_1802" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/08/IMG_2656.jpg"><img class="size-large wp-image-1802 " title="Nossa rua em Milão" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/08/IMG_2656-1024x682.jpg" alt="Nossa rua em Milão" width="614" height="409" /></a><p class="wp-caption-text">Nossa rua em Milão</p></div>
<p style="text-align: justify;">Curtir as atrações turísticas clássicas como museus, ruínas, igrejas, etc não substitui o encanto do espaço público, muito pelo contrário. Só é necessário ter tempo, olhos e orelhas atentos. Apesar de tudo o que nos falaram em contra de Milão, essa é uma cidade daquelas que pensei &#8220;aqui eu moraria&#8221;. Sete dias foram poucos: teremos que voltar por mais.</p>
<p style="text-align: center;">*********</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem quiser dicas de Milão, visitem o <a href="http://ericaema.blogspot.com/" target="_blank">blog da Érica</a>, diretamente de Milão. Érica, quem sabe nos veremos na próxima Feira do Móvel? <img src='http://www.flanancias.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Ver sozinha é ver mais devagar</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jul 2011 10:10:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucy</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><object width="425" height="350"><param name="movie" value="UBMo61_j2QE"></param><param name="wmode" value="transparent" ></param><embed src="http://www.youtube.com/v/UBMo61_j2QE" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="350"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">O filme &#8220;<a href="http://www.criterion.com/films/368-summertime" target="_blank">Summertime</a>&#8221; (no Brasil chamado &#8220;Quando o coração floresce&#8221;) tem entre seus méritos principais a fotografia perfeita em Technicolor, captada com primor na edição cuidadosa em DVD da Criterion Collection. Além disso, lógico, a atuação versátil da Katharine Hepburn em uma história de amor hollywoodiana à moda antiga, com Frank Sinatra cantando, baile à luz da lua, vestidos rodados, beijos roubados e tudo mais. A gente quase se esquece de que estranho poderia ser, naquela época, uma mulher viajando sozinha. Hoje com certeza é muito menos, mas também me intriga entender por que &#8220;mulher viajando sozinha&#8221;, &#8220;mulher casada pode viajar sozinha&#8221;, &#8220;viajar sozinha&#8221; e derivados, são as buscas mais comuns no Google que trazem leitores/leitoras ao Flanâncias e o post &#8220;<a href="http://www.flanancias.com/sobre-viajar-sozinha" target="_blank">Sobre viajar sozinha</a>&#8221; é um dos mais lidos do blog. Dá o que pensar, não?</p>
<p style="text-align: justify;">O começo de Summertime consegue transmitir aquela sensação de entrega à surpresa. A expectativa no trem, a emoção que sente ao chegar, a câmera de fotos como companheira de viagem, os momentos sozinha nos cafés, o prazer e orgulho de começar a usar as primeiras palavras na língua local, às vezes também a solidão, mas, principalmente, o orgulho de se sentir independente, sem roteiros previstos (ao contrário dos turistas estadunidenses que ela encontra), desfrutando do seu próprio tempo e de suas próprias vontades.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sei por quê é diferente ver um lugar pela primeira vez com outra pessoa do lado. No filme, a personagem de Hepburn parece irritada com tudo o que os outros falam para ela de Veneza. Também se sente incomodada quando estão falando perto dela enquanto ela tem aquele primeiro encontro com um lugar bonito. E é verdade que o olhar do outro, mesmo quando silencioso, interfere no nosso. Mesmo quando a sintonia é a mesma, o desejo de conhecer é o mesmo, porque cada pessoa carrega uma bagagem diferente e ver implica usar tudo isso para também compreender, assimilar. Me lembrei agora daquele continho do Eduardo Galeano (O livro dos abraços):</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 60px;"><em>Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: &#8211; Me ajuda a olhar!”<br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;">Não prefiro viajar sozinha a viajar acompanhada, simplemente são experiências diferentes.</span></strong><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"> Gosto de andar sozinha por Madrid, por exemplo, porque ali ainda descubro coisas. Até mesmo em Múrcia, onde ainda me perco e fico até feliz de me perder. Em Pequim, era mais complicado ver sozinha (não viajar, não por perigo nem nada disso), porque era tudo tão alheio ao que eu conhecia, tudo tão grande e distante, que cada detalhe precisava de muito tempo e dois olhos eram escassos para tanta novidade. Quando fui a Roma com minhas amigas, tirei uma manhã só para mim porque eu precisava me perder sozinha pela cidade. Na verdade, em todas as viagens que faço acompanhada, preciso das minhas horas sozinha andando pela cidade. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;">Tem um silêncio que acompanha a visão que é delicioso. É bom comentar com nosso acompanhante aquilo que estamos vendo. De certo modo isso chega até a dar sentido ao que se vê. Por outro lado, ver sozinha é mais denso, mais lento e requer certa prática introspectiva.</span></p>
<p style="text-align: justify;">Voltando a Summertime, a personagem de Hepburn é uma mulher mais velha e com problemas emocionais que não são explicados – afinal, estamos nos anos 50, uma época na qual as mulheres jovens e resolvidas deveriam estar casadas, não viajando sozinha pela Europa. Mas será que esse mesmo preconceito não funciona hoje? Quando vejo como entram aqui por esse assunto penso em quantas mulheres têm vontade de fazer isso e não o fazem, talvez sem coragem, talvez sem dinheiro, talvez só esperando a hora certa.</p>
<p style="text-align: justify;">De todos modos, a estória do filme, apesar de romântica e até mesmo previsível, vale a pena pelas cores, a fotografia, a interpretação. Summertime é uma delícia para os olhos, mostrando uma cidade exuberante, mas, principalmente, uma mulher sozinha que se deslumbra com a beleza e a arte e que, afinal, se entrega a um amor que só pode durar os dias que duram sua viagem. Nada mal.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Voando com Lartigue</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jul 2011 11:26:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucy</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Jacques Henri Lartigue era um cara de sorte, mas independentemente disso, porque afinal de contas ele viveu em tempo de guerra, ele escolheu a sorte, ou melhor, a alegria. Com certeza, alguns colegas seus diriam na época: &#8220;esse Jacques tem a cabeça nas nuvens, o mundo está desabando e ele só pensa em voar&#8221;. Ele era francês e rico, o]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Jacques Henri Lartigue era um cara de sorte, mas independentemente disso, porque afinal de contas ele viveu em tempo de guerra, ele <em>escolheu</em> a sorte, ou melhor, a alegria. Com certeza, alguns colegas seus diriam na época: &#8220;esse Jacques tem a cabeça nas nuvens, o mundo está desabando e ele só pensa em voar&#8221;. Ele era francês e rico, o que, no começo do século XX quando tudo ainda estava sendo feito, significava que a velocidade começava a entrar na vida cotidiana com voos mirabolantes (ele conheceu até o Santos Dumont), os carros invadiam as ruas, a fotografia (que ainda era um hobby para poucos), e o cinema que acabava de chegar.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando era pequeno, seu pai lhe deu uma máquina fotográfica. Jacques não quis saber de outra coisa na vida: só fotografava e, mais tarde, escrevia um diário. E não fazia viagens à África, nem ao Nepal, nem ao fronte da primeira guerra. Ele tirava fotos de sua família mesmo, do seu entorno. Azucrinou a sua irmã uma tarde inteira para que ela ficasse pulando da escada para ele ter várias opções de fotos, se escondia detrás das moitas do Jardin des Plantes para tirar foto das moças bonitas, não sossegou até que andou de avião. As coisas que ele via todos os dias eram bonitas, só que ele as deixava ainda mais bonitas. Afinal, não basta ter uma câmera, é preciso saber olhar. E até hoje ele nos ensina a olhar as sombras e a languidez do ócio, os pulos, voos, o mar agitado, as mulheres da moda, as risadas descontroladas, as brincadeiras bobas. Jacques achava o mundo maravilhoso.</p>
<p style="text-align: justify;">Há pouco tempo fui à Caixa Forum de Madri ver uma exposição de Jacques Lartigue e me deparei com o Wes Anderson, um dos meus diretores favoritos. Eu sabia que ele era fã do fotógrafo, mas não sabia até que ponto! Lá estava o Zizou, que era irmão do Jacques e nome do filme do Wes, estava o Max Fisher do Rushmore, estavam os personagens melancólicos, porém alegres, como as eternas crianças do Lartigue. Saí de lá flutuando e volto a flutuar toda vez que abro as páginas do <a href="http://www.laie.es/libro/un-mundo-flotante-fotografias-de-jacques-henri-lartigue/401761/978-84-9900-030-5" target="_blank">catálogo da exposição</a>. Hoje a gente não vê mais graça em andar de avião e reclama da vida rápida demais. Tudo isso que para Lartigue era novidade é também a matéria do que se transformou depois em sua arte. Seu &#8220;<em>mundo flotante</em>&#8221; mostra um passado muito pouco retratado, de uma vida quase parelela às mazelas da Europa em guerra. Suas cenas do cotidiano chamam a nossa atenção para o que temos ao lado, agora mesmo, e para a importância de saber olhar.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/lartigue08.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1778" title="Lartigue" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/lartigue08.jpg" alt="" width="400" height="346" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/Jacques_Henri_Lartigue-777x466.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1775" title="Lartigue" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/Jacques_Henri_Lartigue-777x466.jpg" alt="" width="544" height="326" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/LARTIGUE_Jacques_Henri_Lartigue_racing_car-777x538.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1773" title="Lartigue" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/LARTIGUE_Jacques_Henri_Lartigue_racing_car-777x538.jpg" alt="" width="544" height="377" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/lartigue1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1777" title="Lartigue" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/lartigue1.jpg" alt="" width="448" height="201" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/jacqueshenrilartigue65_20081019_2001978119.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1782" title="Lartigue" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/jacqueshenrilartigue65_20081019_2001978119.jpg" alt="" width="560" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/jacqueshenrilartigue26_20081019_1560624733.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1781" title="Zizou, irmão de Lartigue" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/jacqueshenrilartigue26_20081019_1560624733.jpg" alt="" width="445" height="322" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/maxfisherracer.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-1780" title="Max Fisher, do filme Rushmore, de Wes Anderson" src="http://www.flanancias.com/wp-content/uploads/2011/07/maxfisherracer.png" alt="" width="500" height="375" /></a></p>
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