Consumo consciente
Há três anos já que eu, Manuela e Alexandre trabalhamos com a tradução do material do Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade. É um trabalho que adoramos fazer não só porque aprendemos muito com palestras de pessoas interessantíssimas, mas também porque nos identificamos com várias pautas que são debatidas ali. Uma delas, que sempre aparece e que achamos importante debater e divulgar é o consumo consciente.
Muitas vezes, quando falamos de consumo sustentável ou consciente as pessoas dizem “sim, eu economizo água e luz”, só que esse conceito vai muito além disso. Trata-se de pensar realmente sobre cada coisa que consumimos, se estamos agindo por impulso e cedendo a fortes campanhas de marketing, se estamos prejudicando o planeta, se estamos comprando de empresas que são conhecidas por usar trabalho infantil, se tem embalagem demais, mas, principalmente, se PRECISAMOS do que estamos comprando. Ou seja, quais são as nossas motivações?
O mundo é consumista, não há muito mais para falar sobre isso. Além do mais, queremos sempre ganhar mais. Para guardar mais? Muitas vezes não: é para comprar mais. E ainda, o que se compra pouco tem a ver com necessidade, mas com valores que prezam a imagem, o esnobismo, a distinção de classes, cedendo inconscientemente aos apelos publicitários, às marcas, ao comprar por comprar. Pense no que você comprou semana passada: você cedeu ao consumismo pelo menos uma só vez?
Basta dar uma olhada no armário da nossa cozinha para ver a quantidade de coisas que guardamos, além de tudo aquilo que jogamos no lixo. É muita comida! É muito desperdício! Um exemplo disso é que o fotógrafo Paul Menzel registrou em seu livro ‘Hungry World’: quanto algumas famílias consomem de comida ao redor do mundo? As fotos são impressionantes. Vejamos algumas:
Alemanha: a família Melander de Bargteheide. Gastos semanais com comida: 375.39 euros ou US$500.
Egito: A família Ahmed do Cairo. Gasto semanal com comida: 387,85 libras egípcias ou US$68.53.
Chade: A família Aboubakar no Campo de Breidjing. Gastos semanais com comida: 685 francos do Chade ou $1.23.
Com o Natal chegando, vale a pena pensar um pouco no que consumimos, no exagero e nos desperdícios dessas festas, e também colocar o consumo consciente e sustentável para o planeta na nossa listinha de metas para 2011. Fartura na mesa e escassez de consciência não vão garantir aquele 2011 bacana que esperamos. Boas festas para todos vocês!









Adorei o texto!!! Também tenho pensado muito sobre o tema…
Um beijo grande!!
Tudo o que acende uma centelha na nossa consciência é bem-vindo, até para reavivar noções às vezes meio rarefeitas dentro da gente. O controle do desperdício é uma das chaves para um mundo mais sustentável e não deve ser encarado com superficialidade.
Que trabalho interessante o seu. Tradução também é minha praia. Adoraria ser intérprete de Wangari Maathai por um dia.
Adorei seu blog, Lucy. Voltarei muitas vezes.
Um abraço!