Comer em Veneza

11 · 15 · 2011

Não tem como escapar: Veneza é um roubo a mão armada e principalmente no mês de agosto, quando fomos! Imagino que a cidade se vendeu para as luas-de-mel, quando os casais estão tão loucos que nem pensam no preço das coisas. Ou para os donos de iates dos filmes do James Bond. Como disse o Geoff Dyer em seu livro, Veneza é um simulacro. Ela parece estar lá, mas na verdade só existe nos olhos dos turistas, depois que você vai embora, Veneza não existe mais. Não dá para explicar a vida naquela cidade… vida normal, digamos. Ali, ou se vive do turismo ou se vive da manutenção de pontes. Incompreensível.

Cichetti

Bom, mas encontramos uma saída maravilhosa aos pratos caríssimos dos restaurantes turísticos: os cichetti. Sem tirar nem por, essa é a versão veneziana das “tapas” espanholas.

Cichetti, Veneza

São comidas de bar, para comer com a mão. Em um restaurante, por exemplo, quando dissemos que íamos comer cichetti, tiraram absolutamente tudo o que tinha sobre a mesa (toalha, pratos, copos, garfo e faca, tudo!). Nessa seleção acima tinha desde tomate recheado, até azeitona empanada e frita, croquete, berinjela grelhada, espetinho de camarão, e, como não podia faltar, os reis do cichetti: a sarde en saor e o baccalà mantecato, servidos na polenta. O primeiro é uma sardinha marinada em vinagre com muita cebola. O segundo é um bacalhau triturado numa espécie de creme batido feito com azeite de oliva, mas parece manteiga. Esses dois pratos são típicos venezianos e podem ser encontrados no cardápio fora dos cichetti também (podendo chegar a valer EUR 20 o prato).

Cichetti, Veneza

Às vezes, entrávamos em um restaurante, nos sentávamos e pendíamos cichetti; outras, comíamos no balcão, com um taça de vinho branco ou cervejinha. Por exemplo, no Dai Zemei no bairro de San Polo, onde estava o nosso apê.

Comida veneziana, cichetti

Por um lado, como estávamos em um apartamento alugado, conseguimos nos livrar das bicas nos restaurantes cozinhando em casa (embora não conseguíssemos nos livrar dos altos preços no supermercado). Por outro, comíamos cichetti sempre que possível e era sempre uma delícia.

Gianduiotto

No nosso primeiro restaurante de cichetti, batemos um papo (na medida do possível e do nosso escasso italiano) com a garçonete que falou para gente não perder o tal gianduitto no Da Nico, em Zattere. Confesso que não sou muito chegada ao doces nem de chocolate, mas a coisa é séria. Trata-se de uma barra de sorvete de gianduia (chocolate com avelã) servida com chantily, que suaviza o sabor forte do chocolate. Realmente, imperdível. Os outros sorvetes também não deliciosos!

Gianduiotto, Veneza

A pescheria de Rialto

Ficamos apenas 5 dias em Veneza no final de agosto e o que deu para ver é que as “osterias” mais tradicionais estavam fechadas, inclusive aquelas que vendem cichetti de peixe cru (tipicamente veneziano) perto do mercado. Aliás, isso foi algo que procuramos, mas não conseguimos comer. O próprio mercado de peixes em Rialto é imperdível, só que em agosto muitos postos estavam de férias.

Pescheria, Rialto, Venezia

Nós curtimos a valer, claro, mas quem puder evitar Veneza em agosto, fica a dica!

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2 comentários

  1. Juan Carlos says:

    Cara Lucy:
    Sono stato tre volte a Venezia e l´ultima volta ho trovato un´altra Venezia, non turistica, piena di capolavori da scoprire, pietre ricche di storia, fiabe e leggende da consoscere, osterie, ristoranti e posti per bere, mangiare e un ´atmosfera in una Venezia appartata, magica, unica. Ricordo il Campo Santa Margherita e il Cafe Noir…
    Juan Carlos.

  2. Lucy says:

    Juan Carlos, e você ainda fala italiano, rapaz? Caixa de surpresas! Imagino que a cada visita a uma cidade, ela vai se ampliando, melhorando… Eu fiquei com gosto de quero mais. Cinco dias foram escassos, inclusive porque o calor não permitia fazer muito. Quero voltar no outono ou primavera e ver essa Venezia non turistica! Um dia… Abraço pra você!

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